sábado, 24 de outubro de 2009

Impressões sobre o concerto Performance + Imagem.

Duas temáticas difíceis.

Sim.

Trabalhos multidisciplinares são um desafio para os compositores portoalegrenses. Isso devém entre outras coisas da escasa discussão que o curso de música do IA tem com os outros inquilinos do prédio, artes visuais e teatro.

Sei.

Percebi que o prédio da arte dramática fica a duas quadras de distância.

A distância é muito maior do que isso. Semana retrasada comentávamos na aula de análise como seria bom termos um seminário de gestaldt unindo as três áreas. O problema esbarra na falta de participação política dos alunos da música. Não existe centro acadêmico da música. Ponto.

Como juntar as pessoas para esse fim?

Não sei.

Dessa maneira, não há produção para esta temática. Os alunos de composição, como todos os alunos da música, estamos preocupados exclusivamente nas notas. Só.

Soma-se a isso uma porção de contratempos. Muita peça cancelada por problemas técnicos. É necessário correr atrás: "o show deve continuar".

"O Filho do faroleiro" teve uma proposta interessante. Um vídeo com imagens de uma praia e um farol. Duas pessoas nesse ambiente. Isso como imagem para o relato de um trovador que intercala fala e ilustração musical através de uma viola caipira. Proposta simples e muito eficiente. O fato do relato não ser comentado pelo vídeo, de serem duas coisas que se encontram na imaginação funcionou muito bem. Por outro lado, problemas pessoais impediram a declamadora de se apresentar. Fernando Mattos se escusou: "Eu sou um quebra-galho". Para mim cumpriu satisfatóriamente sua função. Se alguém não gostou quero ressaltar a coragem do cidadão.

"Siglas" teve sua segunda apresentação (a primeira foi na Mostra de Música Contemporânea). A peça é escrita para 8 vozes. Foi adaptada para quatro. Houve um desdobramento dos cantores para preencher as funções. A preocupação que tivemos foi dar a esta segunda apresentação uma leitura mais performática. A peça pode crescer trabalhando melhor as sonoridades dos fonemas, percebendo melhor os "momentos" que a compõem e aproveitando a energia particular de cada um deles. A ajuda de um diretor teatral seria muito saudável. Pena que Martinêz (o autor) não pode comparecer. Encontrei com ele no IA ontem e concordou com a intervenção da cantora lírica maluca que não consta na partitura.

"Quadros" contém os riscos usuais de um improviso coletivo. Três situações predeterminadas: movimentos lineares, drama e imobilidade. Isto como roteiro cênico. A música sublinha ou altera a cena. Acredito que os conceitos sobre os quais trabalhamos um improviso devem ser retrabalhados. É um desperdiço esgotar as possibilidades numa só apresentação. A integração dos componentes pode ser muito mais intensa.

"Sonho desperto" foi a meu ver o que melhor funcionou na noite. Trabalho integrado em que uma artista visual e um músico criaram juntos um discurso poético. Integração vídeo/eletroacústica. Integração dos dois autores no palco. Tudo teve um sentido. Tudo foi bem trabalhado. O final em "retrogradação" (vejamos bem: a retrogradação do vídeo) foi previsível...Ler os textos ao contrário no início e colocá-los na sua forma 'compreensível' no fim funciona.

Quem sabe é isso? Falarmos de uma vez por todas honestamente sobre nossas percepções
para gerarmos reflexões nos criadores.

Eu sou mais um na plateia.

E um último recado a nós compositores: temos a responsabilidade de formar nosso público. Devemos dar um salto de qualidade. Só conseguiremos isso com planejamento e disciplina.

Marcelo Villena

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Música de POA 2009

4° concerto: Performance + Imagem

Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo

Quinta-feira 22 de outubro


Programa

Trabalhos falados (Narrativas do litoral sul)
André Severo (imagens)
Fernando Mattos (música)


Duas histórias colhidas entre Mostardas e Chuí.
I – O Filho do Faroleiro
II – Piratas dos Neutrais

Siglas
Martinez Nunes

Canto falado: Celina Del Monaco, Flávia Furquim,
Cuca Medina, Marcelo Villena

Quadros
Improviso coletivo

Cuca Medina: voz e acordeão
Marcelo Villena: performer
Rodrigo Avellar: live-electronics
Ulises Ferretti: flauta doce e voz

Sonho desperto
Alexandre Fritzen da Rocha (música)
Mariana Konrad (vídeo)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Performance + Imagem

Data: 22 de outubro de 2009
Local: Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo - Rua dos Andradas 1223 - Centro
Hora: 19:30

4° Concerto Anual Música de POA
Temática: Performance + Imagem

Participações:

Alexandre Fritzen da Rocha, André Severo, Celina Del Monaco, Claudine Abreu, Cuca Medina,Fernando Mattos, Flávia Furquim, Marcelo Villena, Maria Helena Bernardes, Martinêz Nunes, Mariana Konrad, Ricardo Eizirik e Swami Silva.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Convite enviado pelo colega Mateus

http://www.fundacaobienal.art.br/

Bienal convoca artistas para performance participativa
A 7ª Bienal do Mercosul está convidando artistas de todas as áreas para a performance participativa Musicircus, de John Cage. O evento vai acontecer no final de semana de abertura da 7ª Bienal, no Armazém A7 do Cais do Porto, no dia 17 de Outubro. A performance trata de atividades simultâneas de vários artistas dentro do mesmo espaço.
Esta será a primeira vez que Musicircus será apresentado no Brasil, desde que foi criado em 1967.
Os interessados em participar devem se inscrever até o dia 23 de setembro, enviando uma ou mais propostas de trabalho para serem realizadas em qualquer formato ou disciplina artística para o email musicircus@bienalmercosul.art.br.

As propostas de trabalho dos interessados deverão incluir:
• Nome, endereço, telefone e email. Nos casos de propostas dos grupos, fornecer detalhes de todos os participantes, indicando um membro responsável.
• Até doze obras que se propõe realizar, e para cada uma:
o Título do trabalho ou uma frase com a descrição da atividade
o Relação de instrumento(s)/ferramentas de trabalho
o Requisitos técnicos ou equipamento necessário (se houver)

Os artistas selecionados serão anunciados até o dia 1 de Outubro. O local de apresentação de cada artista dentro do Armazém A7, assim como o horário de cada apresentação, será estabelecido seguindo o princípio do I Ching. Cage utilizou em sua vida e trabalho este texto milenar chinês, que ficou conhecido no ocidente como "mudança" ou "mutação". O I Ching é compreendido e estudado tanto como um oráculo quanto como um livro de sabedoria. Mais informações clique aqui.

John Cage (1912 – 1992) foi um dos mais importantes e influentes músicos e compositores de vanguarda do período pós-guerra, talvez mais conhecido pela sua composição 4'33'', de 1952. Musicircus reúne muitos dos seus conceitos mais importantes e o principal objetivo da performance participativa é criar uma situação em que a criação artística e a experiência do público possam ser compartilhadas, sem ditar uma estética principal de um palco ou espaço cênico. Sua preocupação foi demonstrar, num contexto real de espetáculo, que a produção e a experiência da música devem ser processos colaborativos e inteiramente democráticos, onde ambas as partes não podem ser dominadas por egos. O resultado é um ambiente de improvisação simultânea, tanto de intérpretes quanto de público, onde cada indivíduo presente possui autonomia, ao mesmo tempo em que uma composição global de múltiplos estímulos acontece. O primeiro Musicircus ocorreu em 1967, na Universidade de Illinois. Desde então, essa performance foi realizada inúmeras vezes - em San Francisco, Chicago, Melbourne, e Londres, entre outras cidades, tanto antes como depois da morte de Cage

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

III Mostra de Música Contemporânea

Na quarta-feira passada, 2 de setembro de 2009, pudemos prestigiar a III Mostra de Música Contemporânea. Em seu terceiro ano de edição, a Mostra, idealizada e concebida pela compositora Cuca Medina contou com a organização de Kliah Stapk Stapk e da comissão organizadora do Música de POA (Abel Roland, Alexandre Fritzen da Rocha, Felipe Faraco e Marcelo Villena). Neste ano o espaço que acolheu a Mostra foi o Museu da UFRGS. O evento ocorreu no mezanino do Museu, em meio à exposição de astronomia “Em casa no universo”. A Mostra ainda teve apoio, além do Museu da UFRGS, do CME (Centro de Música Eletrônica da UFRGS).
O programa do concerto começou com uma obra para flauta doce e meios eletrônicos do compositor uruguaio Ulises Ferretti. Após, foi apresentada uma parte da ópera “Quetzalcoátl – Ópera Gastronômica” do compositor Marcelo Villena, com interpretação dos cantores Elisa Machado, Cuca Medina, Fábio Kremer e Francis Padilha, da flautista Cibele Endres Pereira (flauta-doce), da violista Claudine Abreu, do percussionista Diego Silveira (ceramofone), e do fagotista Adolfo Almeida Jr. A terceira obra do concerto foi uma composição para voz de Martinez Nunes chamada “Siglas”, peça interpretada pelas sopranos Claudine Abreu e Celina Del Mônaco, as mezzo-sopranos Cuca Medina e Flávia Furquim, o tenor Martinês Nunes e o baixo Marcelo Villena. A quarta peça foi uma canção de minha autoria, interpretada por Cuca Medina (mezzo-soprano) e por mim ao piano. A última obra foi uma composição de Cuca Medina para voz (interpretada pela própria compositora), vídeo e meios eletrônicos .
Após o concerto foi organizada uma mesa redonda aonde os compositores puderam falar sobre o seu processo criativo com a platéia.
O evento contou com um público de cerca de 60 pessoas.

Porto Alegre, 09 de setembro de 2009.
Alexandre Fritzen da Rocha.
(membro da comissão organizadora do Música de POA)

sábado, 29 de agosto de 2009

MOSTRA DE MÚSICA CONTEMPORÂNEA NESTA QUARTA

PROJETO MUSICA NO MUSEU
DATA: 02.09.09 - qUARTA-fEIRA
HORÁRIO: 18:30
NO MUSEU DA UFRGS - AV. OSVALDO ARANHA, 277 - CAMPUS CENTRO ---> PRÓXIMO AO TÚNEL DA CONCEIÇÃO
entrada franca
MOSTRA DE MÚSICA CONTEMPORÂNEA

Porto Alegre - Ano III

MÚSICA PERFORMANCE VIDEO CONVERGÊNCIAS


Terceira edição da Mostra de Música Contemporânea. O evento tem como principal objetivo apresentar a diversidade de manifestações da música contemporânea portoalegrense, em suas distintas interfaces e modalidades de criação artística (música e performance, música e vídeo, paisagem sonora), bem como os diferentes meios de geração e organização do material musical (instrumental, vocal e eletroacústica) e modos de organização do fluxo musical. Nesta terceira edição, serão apresentadas obras de Abel Roland, Alexandre Fritzen da Rocha, Cuca Medina, Marcelo Villena, Martinez Nunes e Ulises Ferreti. Como intérpretes teremos a participação de Adolfo Almeida Junior (fagote), Alexandre Fritzen da Rocha (piano), Celina del Mônico (soprano), Cibele Endres Pereira (flauta-doce), Claudine Abreu (soprano), Cuca Medina (mezzo-soprano), Diego Silveira (percussão), Elisa Machado (soprano), Fábio Kremer (tenor), Flávia Furquim (mezzo-soprano), Francis Padilha (barítono), Marcelo Villena (baixo), Martinez Nunes (tenor), Ulises Ferreti (flauta-doce).



uMA pRODUÇÃO dE kLIAH sTAPK sTAPK E mÚSICA dE pOa


(Cuca Medina, Alexandre Fritzen da Rocha, Abel Roland, Felipe Faraco e Marcelo Villena)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Grupo de Música Contemporânea

Segundo Concerto da Temporada 2009 do

Grupo de Música Contemporânea de Porto Alegre

27/08 – 21h30 – Instituto Goethe

entrada franca



O GMC POA apresenta o segundoconcerto da temporada 2009 no Teatro do Instituto Goethe neste mês de agosto,executando obras dos compositores Diego Silveira, Jakson Kreuz, Marcelo Villena e Germán Gras. O grupo foi fundado em 2007, com o intuito de promover e divulgar a música erudita dos séculos XX e XXI,especialmente o repertório produzido em nossa cidade. As peças serão interpretadas por músicos provenientesde diversas orquestras, como OSPA, Orquestra de Câmara do Teatro São Pedro eOrquestra da PUC.



Repertório:

Faskner II – Diego Silveira

Quinteto – Jakson Kreuz

Objects Factory – Germán Gras

4 Invenções para Clarinete e Fagote – Marcelo Villena

Guernica – Paul Dessau





Direção: DiegoSilveira

Regência: MartinêzNunes



Intérpretes do Concerto:

Adolfo Almeida Jr. - Fagote

Ana Freire – Contrabaixo

André Mendes – Flauta

Diego Silveira – Percussão

Marta Brietzke – Violoncelo

Claudine Abreu - Viola

Paulo Bergmann – Piano

Paulo Zorzetto - Percussão

Rômulo Chimeli – Oboé

Rosângela dos Santos - Violino

Samuel Oliveira – Clarinete e Clarone

Vinicius Nogueira - Violino