quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Música de POA 2008 - 4° edição

Ontem foi a 4° edição do música de POA 2008. A temática da vez foi Imagem+Performance. Duas temáticas muito pouco contempladas nos concertos de música erudita e desafiadoras para os criadores.
Tivemos 5 obras apresentadas.
Para começar foram escolhidos os vídeos "Cat Man Do" e “Cat Let Me In", duas animações de Simon Tofield da Tandem Films com trilha sonora de Rodrigo Meine. Rodrigo apelidou o trabalho de "orquestração virtual". Emprega bancos digitais de samples (registros) de sons reais de instrumentos, de maneira que algum desavisado pode supor que ele teve que pagar uma nota para a orquestra. A orquestração deu um colorido diferenciado para o humor fino dos vídeos.
A segunda peça foi "Estudo sobre o escuro" de Ricardo Eizirik e Swami Silva. Uma criação conjunta. Swami é artista plástica e Ricardo compositor. Esperáva-se que a música fosse do Ricardo e o vídeo da Swami mas eles criaram tudo em parceria. Além desse fato raro conferimos uma integração bem resolvida, os músicos foram "regidos" pelas imagens do vídeo. Ricardo tocou percussão, Thales Silva flauta e Jefferson Colling violino.
Depois foi a vez da minha leitura musical dos poemas de Joelson Ramos: "Elegias Prozac + Anna". Os textos falam com certa ironia sobre a depressão. A música é composta para dois violões (sendo que um deles é afinado 1/4 de tom abaixo do normal). Os poemas que inspiraram a música podem ser declamados na hora ou escritos no programa para o público imaginar sua própria versão. Ontem eu fiz o papel de declamador. Os violões foram os do afinadíssimo dúo Nanã Pombo e Nativo Antônio Hoffmann.
Nativo voltou pro palco para interpretar a peça "Deselegâncias" de Felipe Faraco, que conta com a participação do "virador de páginas" Alexandre Fritzen da Rocha...pelo que eu sei, as bananas comidas no fim da peça não causaram nenhuma indigestão...
E o encerramento ficou por conta da Cuca Medina e o "Baú de Lenora", peça que combina as duas temáticas da noite. Nas palavras da Cuca: "Devaneios de uma cafetina morta, que habita tempo e local desconhecidos." A peça conta com a colaboração no processo de criação cênica de Melissa Dornelles e Patrícia Unyl. O vídeo foi feito por Cuca e Melissa Dornelles. Musicalmente nos deparamos com os diálogos dos dois lados de Cuca: a erudita e a popular. Alguém pode pensar que quando falo de popular falo do acordeón after-punk. Não. Falo da gestualidade vocal que me enche de saudades das referências musicais que compartilhamos.

Quem foi ontem à noite no Auditório Antônio Barbosa Lessa levou uma brisa de diversidade e poesia.

Marcelo Villena - membro da comissão organizadora

Nenhum comentário: